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Friday, 17 de June de 2022, 19h30
Carta Aberta do Mestrado Interdisciplinar em Ciências Humanas a Defensoras/es da vida e da
O assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips calou fundo no coração amazônida. O servidor Bruno Pereira da FUNAI foi afastado de suas funções em 2019, logo após comandar a operação Korubo, que reuniu 60 agentes da Funai, Polícia Federal e Ibama, e que logrou destruir 60 balsas de mineração ilegal no Vale do Javari. A partir daquele ano, muitos servidores do Ibama, ICMbio, Polícia Federal e outros órgãos envolvidos na aplicação das leis indígenas, quilombolas e ambientais na Amazônia e no Brasil foram sistematicamente afastados ou neutralizados em suas tarefas. Ainda assim, Bruno pediu licença sem encimentos para poder seguir atuando na defesa dos povos indígenas. Dom Phillips, jornalista colaborador do The Guardian, apaixonou-se pelo Brasil e morou em nosso país durante 15 anos, dedicando a vida aos valores de respeito à natureza e aos povos que cuidam dela.

Ambos foram assassinados arriscando as suas vidas no combate a crimes que se intensificaram quando passaram a receber apoio tácito com discursos e omissões em várias esferas governamentais. Colaboravam com os povos indígenas que, como inúmeras pesquisas comprovam, juntamente com outras populações tradicionais são os que melhor trazem saberes e tecnologias capazes de unir alterativas econômicas com o respeito à natureza. Ecoavam, ainda, os resultados da pesquisa científica mundial que há mais de meio século vem acumulando conhecimentos sobre o avanço da destruição das condições que tornam a vida possível na Terra.

A ofensiva que vitimou Bruno e Dom para abrir caminho ao lucro a qualquer custo é ampla. Segundo levantamento da Global Witness, o Brasil é o quarto país mais perigoso para quem se envolve na defesa dos territórios das opulações tradicionais, o direito à terra, seus meios de subsistência e o meio ambiente. Situação que se agravou com a paralisação de políticas de estado que visam aplicar as leis ambientais e os direitos das populações tradicionais. Todo esse cenário evidencia que o ataque a Bruno e Dom não foi um ato isolado, mas fruto de uma política da morte, que visa disseminar o medo e baratear empreendimentos criminosos na Amazônia e em outras partes do Brasil. O efeito, porém, está sendo a disseminação ainda maior da denúncia e da indignação. O grito amazônida está se espalhando em todo o mundo, seja na imprensa, no trabalho científico, ou mesmo nos milhões de comentários através da internet.

Bruno e Dom deixam um legado, cada um em seu campo de atuação. Bruno demonstrou que a ação de proteção da Amazônia e dos povosoriginários não pode ficar restrito a organismos estatais. Um papel vital cabe também à organização autônoma dos povos e trabalhadores da Amazônia para resistir aos ataques e construir alternativas com respeito entre humanos e deles com a natureza. Dom, que trouxe a cobertura jornalística à Amazônia atuando como autônomo, mostrou a importância da imersão de jornalistas e do diálogo profundo para a construção das pautas e reportagens. Revelou com sua própria vida que o que há de mais importante acontecendo na Amazônia está além das copas das árvores e dos estereótipos. Hoje, os olhos da Amazônia choram por perder dois dos seus aliados, mas os olhos do mundo se voltam para ela e esse encontro de olhares pode fortalecer alianças vitais para a vida na Terra. Expressamos nossos sentimentos às famílias e amigos. Cobramos a apuração rigorosa das ligações políticas diretas e indiretas que levaram ao crime e que seja feita a justiça. Exigimos o fim da perseguição a servidores que cumprem a lei, e que cesse a indicação de chefes que desviam instituições federais e estaduais de suas finalidades legais. Cobramos o fim do sucateamento da universidades e da educação, vitais para a construção de alternativas para os povos da Amazônia com respeito aos direitos humanos e aos da natureza...
Leia a carta íntegra no documentos anexo.

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